Como a clonagem de WhatsApp é utilizada em golpes financeiros
Entenda como novo golpe clona WhatsApp de pessoas que realizaram anúncios em plataforma online
Disponibilizado em 31/07/2019

Por: Victor Moller
Com o avanço da tecnologia e as novas medidas de segurança dos celulares, é comum as pessoas acreditarem que a aplicação de golpes telefônicos seja coisa do passado. Contudo, essa prática é mais recorrente do que se pode imaginar. Os criminosos vêm se reinventando e criando meios de realizar ações fraudulentas, como a clonagem de WhatsApp.
Geralmente, esse golpe começa com uma coleta de dados em alguma plataforma online, a fim de reunir informações sobre a vítima. Em seguida é realizado um telefonema, geralmente de número restrito e não identificado, pedindo uma atualização de cadastro. Durante a ligação, a vítima recebe um SMS com algum código, então o telefonista tenta mantê-la na linha o máximo de tempo possível para que a clonagem de dados seja efetivada. Ao encerrar a ligação, a vítima perde o acesso ao aplicativo do WhatsApp, pois é criada uma outra conta com mesmo número e foto de perfil do antigo usuário em outro celular. Depois dessa ação, os criminosos passam a ter acesso a toda lista de contatos, então enviam mensagens para conhecidos pedindo empréstimos de dinheiro.
Ao perceber o golpe, a vítima deve avisar o máximo de pessoas possível e, em segundo plano, realizar a comunicação do fato através de um Boletim de Ocorrência. Como as transações solicitadas são realizadas entre contas de um mesmo banco, o valor transferido é compensado na mesma hora e sacado quase imediatamente. Esse processo inviabiliza o cancelamento da transação e torna a recuperação do valor muito difícil. Nesses casos, podem ocorrer duas situações distintas: a primeira, ocorre quando o titular da conta utilizada no golpe empresta sua conta bancária para o criminoso, tornando-se cúmplice do esquema. A segunda, ocorre quando o golpista abre uma conta virtual utilizando os dados de uma pessoa sem seu conhecimento, tornando-a a segunda vítima do golpe.
Nesse contexto, é extremamente importante que os bancos virtuais tornem o processo de abertura de conta mais rígido, com medidas capazes de comprovar a veracidade das informações e a identidade do solicitante. Além disso, eles devem otimizar os processos internos de diligência, a fim de detectar movimentações atípicas e entrar em contato com o cliente em casos suspeitos.
Existem ações simples que podem evitar esse tipo de situação como: desconfie de pedidos de empréstimos repentinos, principalmente se os valores forem altos. Ligue para a pessoa e confirme a veracidade do pedido antes de realizar a transferência. E sempre peça o CPF do titular, mesmo que não seja necessário, essa ação facilita o rastreamento e identificação em casos de golpe. Se houver resistência da outra parte, há uma grande chance de você estar sendo vítima de um golpe.
![]() | Victor Moller |
Diretor Educacional e de Certificação Profissional do IPLD. Graduação em Administração de Empresas e Gestão Ambiental. Membro do LAB-LD da Polícia Civil no Estado de São Paulo há 16 anos. | |
